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Há décadas que sabemos que mesmo uma única sessão de exercícios é capaz de elevar o humor de um indivíduo. Sabemos, também, que a atividade física está associada com a redução dos sintomas de depressão e ansiedade. Um estudo americano de larga escala (incluindo quase 8100 indivíduos), por exemplo, demonstrou que a prática regular de exercícios físicos estava associada com uma redução significante na prevalência de depressão e ansiedade.

Contudo vocês devem estar se questionando sobre o “poder de inferência” de estudos de associação. Não é possível estabelecer causa e efeito a partir destes estudos, de forma que alguns poderiam inferir que é o exercício que causa a diminuição da depressão, enquanto outros advogariam sob o argumento de que a depressão, e o consequente estado de apatia é que torna o indivíduo menos ativo…é a maldita história do ovo ou da galinha, ou da bolacha Tostines, para os mais velhos experientes. Do que precisamos, então? Estudos intervencionais controlados e randomizados!!! Vamos a eles, pois…

Um trabalho razoavelmente antigo comparou a eficácia de um programa de exercícios aeróbios em grupo (3x/semana) com o regime medicamentoso padrão no tratamento de depressão severa em indivíduos idosos. O estudo teve duração de 4 meses e os resultados foram bastante promissores. Ambos os grupos tiveram os seus escores de depressão reduzidos à níveis normais, sugerindo que o exercício poderia ser utilizado como uma forma de terapia alternativa às drogas comumente utilizadas no tratamento da depressão. Os próprios autores reconhecem, no entanto, que o simples fato do exercício ter sido administrado em grupo possa ser um fator de confusão, sendo a interação social entre os participantes a possível causa da diminuição da depressão.

Ok! Para os “non-believers”, um outro estudo, anos depois, foi além e comparou três grupos diferentes: exercício supervisionado, em grupo; exercício individual, realizado em casa sem supervisão; e terapia medicamentosa padrão. Contrapondo a limitação do estudo anterior, os autores encontraram efeitos igualmente positivos nos três grupos, evidenciando o potente papel do exercício em si no tratamento da depressão. Ademais, é inequívoco que o exercício tem efeitos sistêmicos sobre o organismo, agindo positivamente em todos os sistemas do nosso corpo, com benefícios que variam num espectro que vai desde aqueles ligados à cognição e chega até ao controle do metabolismo da glicose, por exemplo. Isto confere à terapia com exercícios uma vantagem enorme sobre o tratamento medicamentoso, ao qual tem-se atribuído diversos efeitos adversos…além do custo financeiro deste último, que também deve ser considerado.

Resta, então, melhor formarmos os profissionais de saúde, de forma a educá-los adequadamente sobre o papel do exercício no tratamento e prevenção de diversas condições patológicas.

Matéria publicada pelo Portal da Educação Física

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